Os irmãos Sahakian, Edward e Eddie, combinam conhecimento tradicional com uma perspectiva jovem na renomada loja Davidoff de Londres.
Quando Edward Sahakian inaugurou sua loja Davidoff em Londres, recebeu a visita de um convidado muito especial que trazia um presente igualmente especial. “No primeiro dia de funcionamento, Zino apareceu”, conta Sahakian, referindo-se a Zino Davidoff, criador da marca de charutos Davidoff e da rede de lojas que leva seu nome. Era maio de 1980 e Davidoff tinha um presente para o novo dono da loja: uma caixa de charutos cubanos, novidade no mercado. “Ele me presenteou com uma caixa de charutos Dom Pérignon. E escreveu nela: ‘Caro Edward, fume, mas não fume demais.'”
Sahakian demonstrou a paciência e a elegância pelas quais é conhecido, prometendo não apressar o prazer de fumar aquela caixa de Churchills. “Eu disse: ‘Sr. Davidoff, prometo que fumarei apenas um deste maço todos os anos no aniversário da loja. E quando fumar o último, me aposentarei.'”
Os charutos cubanos Davidoff Dom Pérignon são embalados em caixas de 25 unidades, com uma camada de 13 sobreposta a uma camada de 12 (embora também existam caixas com 10 unidades). Tudo correu conforme o planejado por mais de uma década, enquanto Sahakian apreciava um dos charutos anualmente. “Fiz isso religiosamente durante os primeiros 13 anos. Então, a primeira camada da caixa acabou. No 14º ano, quando peguei um charuto da segunda camada, pensei: ‘Meu Deus, só restam 11’. Então, comecei a pular alguns anos”, conta ele com um sorriso de culpa. “Eu não queria terminar — queria cumprir minha promessa ao Zino. E ainda me restam uns sete ou oito.”

Uma caixa de Davidoff Dom Pérignon da década de 1980 como esta é um dos tesouros vintage que aguardam para serem descobertos na loja da Davidoff em Londres.
Sahakian tem agora 76 anos e claramente não tem pressa para se aposentar. Ainda não é primavera em Londres, e a tabacaria de Sahakian está fechada para visitantes devido às regras da pandemia, mas olhando para ele, ninguém imaginaria que os negócios não estão funcionando normalmente. Sua gravata está perfeitamente amarrada, um nó Windsor impecável logo abaixo de sua barba grisalha bem aparada. Seu terno de três peças está elegantemente passado, e ele está sentado confortavelmente em uma cadeira, com um charuto fino em uma das mãos.
“O que você está fumando?”, pergunta um visitante virtual. A resposta é em parte esperada, em parte surpreendente. Ele tem um Cohiba Lancero vintage — mais ou menos.
“Esta é a primeira metade de um charuto de verdade”, diz ele, mostrando um pedaço de um charuto fino para a câmera. “Eu o chamo de petit lancero.” Qualquer pessoa que conheça o mundo dos charutos cubanos sabe que não existe petit lancero na linha de Havana. O exemplar que está sendo fumado por um dos homens mais entendidos no assunto é resultado de uma cuidadosa manipulação do tabaco — ele corta o charuto em segmentos antes de fumar.
“Eu sempre corto uns cinco centímetros, fumo até terminar essa parte e depois acendo a outra metade”, diz ele com um sorriso.
É uma prática tradicional? De jeito nenhum. Mas quem pode questionar a autoridade de Sahakian no ramo de charutos? Ele vende charutos há 41 anos e, ao longo das décadas, construiu uma reputação como um dos maiores varejistas de charutos cubanos do mundo. Entre seus prêmios, está o de Homem do Ano da Habanos na categoria varejo. Então, podemos perdoá-lo por cortar seus charutos em pedaços.

“Não é segredo que meu pai adora lanceros”, diz o rapaz mais novo, com cabelos longos até os ombros, sentado ao lado dele. Eddie Sahakian tem 48 anos e trabalha com o pai na loja há 13 anos. Eddie, que também trabalhou na loja no início dos anos 90, entrou para o ramo de bancos de investimento em 1999, mas a crise financeira de 2008 pôs fim à sua carreira. “Quando as coisas deram errado, deram muito errado”, diz ele. Seu pai sorri ao se lembrar de 2008, pois foi o ano que trouxe o filho de volta à loja. “Eu não tinha pensado em voltar a trabalhar na loja”, diz Eddie. “Foi como voltar ao paraíso.”
As coisas mudam lentamente no mundo Sahakian. A cadeira em que Edward está sentado durante a entrevista é original da loja. “Tivemos que reformá-la duas vezes”, diz Edward com um sorriso. “Toda essa tecnologia moderna não me agrada. Eddie cuidou disso. É uma combinação muito boa. Temos algo antigo e algo novo.”
Eddie introduziu a loja no mundo das redes sociais, expandiu sua presença online e estendeu seu alcance para além de Londres. “Ainda estou aprendendo”, diz ele. “Tentamos não diluir muito a atemporalidade do nosso negócio, mas é claro que a internet, gostemos ou não, as redes sociais, gostemos ou não, precisam ser abraçadas, e isso tem sido um desafio maravilhoso. Pude entrar e não apenas me aproveitar do sucesso dele, mas sim me apoiar em seus ombros. Aprender e observá-lo, ver como ele trabalha.”
“A maior vantagem”, diz ele, “é trabalhar bem ao lado do meu pai.”
O patriarca Sahakian já fumou alguns dos charutos mais preciosos do mundo e menciona casualmente que tem à sua disposição charutos de 30 e 40 anos. Mas ele chegou à conclusão de que não é apenas o tabaco envelhecido que torna um charuto especial.
“Quando você fuma um charuto, o que o torna especial não é apenas o charuto em si. É o momento, o lugar e as pessoas com quem você o aprecia”, diz ele. Entre suas experiências mais preciosas fumando charuto estão aquelas que compartilhou com seu filho.
“Como pai e filho, sentamos ali num domingo”, diz Edward com um sorriso tranquilo, a voz suave e agradável. “No último domingo, estávamos em casa, almoçamos e as crianças estavam lá em cima brincando com seus iPads. As esposas estavam conversando. [Eddie] disse: ‘Pai, vamos fumar um charuto’. Sentamos, fumamos um charuto, nem me lembro qual era, mas fumei um charuto com o Eddie e isso eu nunca vou esquecer.”
Fonte: www.cigaraficionado.com
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